sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Entrevista: Horivaldo Gomes

Viva, viva, viva, estamos hoje inaugurando um novo programa aqui no blog! Tratam-se de entrevistar EXCLUSIVÍSSIMAS para as senhoras e senhores. Tentarei trazer pessoas que acrescentem alguma coisa a este humilde blog feito por moi. No tema de hoje, ofereço a vocês um pouco do que significa o zen-budismo, levando em conta que muitos dos filmes aqui apresentados trazem reflexos desse pensamento intrínseco à filosofia japonesa, como falei láááá em Era uma vez em Tóquio. Enfim, é uma forma de tornar mais denso o conteúdo, ensinar um pouquinho da cultura nipônica para vocês, incultos.


Sem mais delongas, trago Horivaldo nasceu no Rio de Janeiro e decidiu, desde 1976, dedicar todo o seu tempo ao Yoga. Buscou na Índia — onde morou, estudou e participou de inúmeros cursos de aprofundamento — a sabedoria da filosofia e prática do Yoga Integral. Atualmente, preside a Associação Nacional de Yoga Integral (ANYI) e a Federação de Yoga do Estado do Rio de Janeiro (FYERJ), além de ministrar palestras, simpósios e cursos por todo o Brasil.



O que é o zen-budismo?
É uma vertente do budismo que se originou na Índia, onde o próprio budismo nasceu mesmo. Especificamente, o zen tinha a ver com o desenvolvimento dos aspectos mais contemplativo alcançados por meio da meditação. Uma meditação realmente ampliada, que abarca todas as coisas. Então, o budismo zen leva a espiritualidade para uma visão mais próxima do dia a dia, voltada para as práticas comuns de nossa vida. A ideia é que, a cada momento, o ser humano esteja capacitado para voltar a atenção de toda sua alma para aquilo que faz.

O que a noção de “vazio” acrescenta nesse sentido?
Isso é muito interessante, porque, nessa ideia de meditar sobre todas as coisas, o zen-budismo vai buscar sempre compreender o que elas verdadeiramente são. Mais do que olhar com os olhos, tentar captar o mistério por trás daquilo que enxerga, entender sua profundidade. Apesar de não deixar de lado os ensinamentos das escrituras, existe um foco em como cada ser humano, individualmente, desperta sua sensibilidade. Mas se trata de um individualismo que não deixa de lado o outro, da noção de que estamos conectados a um mesmo tecido de realidade. Entender o vazio é desconstruir a concepção de realidade como a conhecemos. Tudo no universo é uma grande ilusão, e somos parte dela, somos parte de um todo. Tudo é e não é.

Como o Budismo se relacionou com o Xintoísmo, que já existia no Japão?
O Xintoísmo surgiu espontaneamente, foi uma expressão cultural natural surgida em povos mais primordiais japoneses, baseada no assombro que eles tinham pela natureza. O Budismo veio pela China. E as duas religiões têm a característica de serem abertas a novas concepções. O que é muito interessante é que Xintoísmo de certa forma complementou o Budismo. O Xintoísmo explicava aquilo que estava ao redor, a origem da vida. Já o Xintoísmo vai falar do além-vida. Um complementa o outro.

E como isso se refletiu no estilo estético?
Há hoje uma redefinição genérica e pouco consistente do conceito de zen que engloba um conjunto de manifestações, todas voltadas para o bem-estar. Está ligada ao desapego, a fazer o máximo com o mínimo. Hoje, você tem isso como uma tentativa de ir contra essa nossa tendência consumista, esse capitalismo feroz. É essa coisa que você tem hoje. O capitalismo de certa forma incorporou isso. Mas não acho que seja ruim, contanto que você tenha consciência do valor desses símbolos.

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