Viva, viva, viva, estamos hoje
inaugurando um novo programa aqui no blog! Tratam-se de entrevistar
EXCLUSIVÍSSIMAS para as senhoras e senhores. Tentarei trazer pessoas que
acrescentem alguma coisa a este humilde blog feito por moi. No tema de hoje, ofereço a vocês um pouco do que significa o
zen-budismo, levando em conta que muitos dos filmes aqui apresentados trazem
reflexos desse pensamento intrínseco à filosofia japonesa, como falei láááá em Era uma vez em Tóquio. Enfim, é uma
forma de tornar mais denso o conteúdo, ensinar um pouquinho da cultura nipônica
para vocês, incultos.
Sem mais delongas, trago Horivaldo
nasceu no Rio de Janeiro e decidiu, desde 1976, dedicar todo o seu tempo ao
Yoga. Buscou na Índia — onde morou, estudou e participou de inúmeros cursos de
aprofundamento — a sabedoria da filosofia e prática do Yoga Integral. Atualmente, preside a Associação Nacional de Yoga Integral (ANYI) e a Federação
de Yoga do Estado do Rio de Janeiro (FYERJ), além de ministrar palestras,
simpósios e cursos por todo o Brasil.
O que é o zen-budismo?
É uma
vertente do budismo que se originou na Índia, onde o próprio budismo nasceu
mesmo. Especificamente,
o zen tinha a ver com o desenvolvimento dos aspectos mais contemplativo
alcançados por meio da meditação. Uma meditação realmente ampliada, que abarca
todas as coisas. Então, o budismo zen leva a espiritualidade para uma visão
mais próxima do dia a dia, voltada para as práticas comuns de nossa vida. A
ideia é que, a cada momento, o ser humano esteja capacitado para voltar a
atenção de toda sua alma para aquilo que faz.
O que
a noção de “vazio” acrescenta nesse sentido?
Isso é
muito interessante, porque, nessa ideia de meditar sobre todas as coisas, o
zen-budismo vai buscar sempre compreender o que elas verdadeiramente são. Mais
do que olhar com os olhos, tentar captar o mistério por trás daquilo que
enxerga, entender sua profundidade. Apesar de não deixar de lado os
ensinamentos das escrituras, existe um foco em como cada ser humano, individualmente,
desperta sua sensibilidade. Mas se trata de um individualismo que não deixa de
lado o outro, da noção de que estamos conectados a um mesmo tecido de
realidade. Entender o vazio é desconstruir a concepção de realidade como a
conhecemos. Tudo no universo é uma grande ilusão, e somos parte dela, somos
parte de um todo. Tudo é e não é.
Como o
Budismo se relacionou com o Xintoísmo, que já existia no Japão?
O
Xintoísmo surgiu espontaneamente, foi uma expressão cultural natural surgida em
povos mais primordiais japoneses, baseada no assombro que eles tinham pela
natureza. O Budismo veio pela China. E as duas religiões têm a característica
de serem abertas a novas concepções. O que é muito interessante é que Xintoísmo
de certa forma complementou o Budismo. O Xintoísmo explicava aquilo que estava
ao redor, a origem da vida. Já o Xintoísmo vai falar do além-vida. Um
complementa o outro.
E como isso se refletiu no estilo
estético?
Há
hoje uma redefinição genérica e pouco consistente do conceito de zen que
engloba um conjunto de manifestações, todas voltadas para o bem-estar. Está
ligada ao desapego, a fazer o máximo com o mínimo. Hoje, você tem isso como uma
tentativa de ir contra essa nossa tendência consumista, esse capitalismo feroz.
É essa coisa que você tem hoje. O capitalismo de certa forma incorporou isso.
Mas não acho que seja ruim, contanto que você tenha consciência do valor desses
símbolos.
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